terça-feira, 28 de abril de 2020

Para não esquecer: 

O todo é a soma de todas as partes. 



Parece redundante. 
Mas é exatamente isso. 

39º

O tempo passa e a gente não vê
só quando bate o vazio...


quarta-feira, 15 de abril de 2020

26º dia

Acho que de tudo que é difícil nessa quarentena, o mais é ter que dar conta de si, sozinha.
Pensar sobre o futuro é uma realidade.
Mas não é só aquele futuro bom, promissor, fazer planos e traçar metas.
É também pensar em perdas, ficar aflito com o que pode vir. Com quem pode nos deixar.

Tenho trabalhado firme pra não me deixar vencer pela ansiedade, pelo medo, pela angústia.
Todo dia é um exercício diferente.
Ter uma rotina de trabalhos com a casa, limpá-la, cuidá-la. Ter uma rotina de exercício comigo. Self Care. Além do home office.
Parece um papo bobo, mas tem feito toda diferença.
Ajuda o tempo passar, faz bem pra cabeça, o coração fica mais tranquilo.

E pouco a pouco os dias vão passando. Quando percebemos, já é o vigésimo sexto dia internada em casa.
Não reclamo da minha condição, é um privilégio poder me cuidar, poder ficar em casa.
Saio para as coisas essenciais: Mercado, banco. E só.
Queria que todos pudessem ser assim. Especialmente da minha família. Sei que meu  pai e meu irmão precisam trabalhar, se não, não há almoço. Não existem contas pagas.
Mas o coração me aperta. Tenho feito o que posso, pago remédios. Dou o que posso de dinheiro. Mas eles também não se sentem confortáveis.

Tem sido bem difícil.
São várias batalhas internas.
Sobra a esperança em dias melhores.

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Tarja branca


"Você tem que lembrar daquele menino que você foi. Aquele menino está o tempo todo olhando para você e perguntando: E aí, o que você fez de mim?"


"A gente precisa lembrar desse brilho, de quando a vida ainda era muito misteriosa"


Falas retiradas do documentário Tarja Branca. Para alentar o coração.

terça-feira, 31 de março de 2020

11º Dia

Ao longo desses meus quase 30 anos nem nos meus piores pesadelos eu poderia imaginar algo tão catastrófico e desastroso como essa pandemia. Ficar enclausurado em casa, sem poder sair, com medo de uma ameaça invisível. O mundo parou!
Não há trabalho, poucas pessoas na rua. O capitalismo vive sua pior crise. E a recessão econômica que viveremos não está no gibi.

Estamos diante de um cenário bastante assolador. 

Mas, ainda bem que nessa vida sempre tem um Mas. 

Acho que, apesar de tudo, essa pandemia trouxe novos olhares. Senão sobre os outros, sobre mim. 
Me forcei a olhar para mim, a trabalhar meus medos, dialogar com eles. 
O mais difícil desses dias é ter que entender que ao mesmo tempo que dependemos do convívio em sociedade - e sentimos muita falta deles -  precisamos, antes de tudo, dar conta da gente. 
Nos últimos dias as reflexões têm sido inevitáveis, assim como os questionamentos: 
Sobre amores, sobre quem queremos bem, sobre perdas, sobre os caminhos a seguir em frente. 
Tem sido um turbilhão infindável. 

Confesso que tinha medo do que poderia resultar tudo isso, afinal, quando a gente se confronta é um tanto inevitável ~colapsar (essa palavra tem andado na moda nos últimos dias). 
Mas (sempre o mas) as coisas têm andado bem. O período é de introspecção, mas muito bom. 

Tenho me (re)aproximado da minha fé.
E percebido a necessidade de exercitá-la. Não da pra gente perder isso de vista nunca.
Buscado entender qual meu papel no mundo diante disso tudo, mentalizado coisas boas. 
Tenho feito o exercício de pensar em coisas boas, de buscar alento nas palavras e nas pessoas. 

A quarentena me fez parar, respirar, olhar pra dentro para que possa refletir lá fora. 
Modesta parte, eu sei que sempre fui uma pessoa solidária e empática, mas tenho percebido que o mundo precisa mais do que isso.
Ainda há muita confusão acerca disso. Ninguém sabe quando isso vai terminar, quanto tempo vai durar. As incertezas são muito fortes. 

Que essa pandemia nos faça buscar dentro de nós a cura pro mundo, a cura pra nós mesmos.
Que tenhamos força e sabedoria para seguirmos em frente. 
Que sejamos luz durante esse período de escuridão.

domingo, 29 de março de 2020

.

O Brasil precisa ser dirigido por uma pessoa que passou fome. A fome também é professora. 

-Carolina Maria de Jesus- quarto de despejo 

segunda-feira, 23 de março de 2020

o caos

Quatro meses sem aparecer por aqui, parece que fazem anos...
As notícias não são boas nem animadoras. Presenciar uma epidemia, ver o mundo todo em quarentena, o pânico instaurado já é, por si só, ruim.
Adicione nisso tudo a questão de um presidente lunático, higienista e protecionista de grandes empresários.
Esse é nosso cenário. Caos é apelido.
Nunca senti tanto medo do que está por vir. Nunca pensei que algo nessa magnitude fosse acontecer. Penso que uma guerra traria menos incerteza do que tudo isso.
Manter a cabeça sã e no lugar é o mais difícil, diante desse cenário.
Temo pelos meus, por mim nem tanto. Mas sei que as pessoas que amo estarão diretamente afetadas.
Ficar longe de todos já é ruim o suficiente. Pensar que eles sofrerão, é pior ainda.

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Cabeça erguida, sempre enfrente!

Nunca deixem que te façam esquecer quem é você. 
O porquê você está ali. 
O que te fez chegar até onde chegou.
Podem falar sobre você, mas isso não é a sua verdade. 
Não permita que isso te abale.

Só você sabe no que acredita. Só você sabe o porquê de estar ali.
Não deixe, por um segundo se quer, que te façam duvidar do que você faz, de quem você é. 

Você é muito, Ana. 
E não é qualquer coisa que vai te dizer o contrário. 
Tenha orgulho de onde você chegou, do que você construiu, de quem você é.  


quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Criançando

Estava no parque com minhas alunas.
A escola tem um balanço de pneu lindo, não há como não sentir vontade de se balançar ao vê-lo.
Aquela tarde estava bonita, resolvi aproveitar aquele balanço azul vago.

Logo que sentei, uma aluna veio correndo
-profe, que você está fazendo aí?
- ué. Tô balançando.
- mas profe, adulto não balança.
- porque não?
- porque adulto nunca tem tempo pra balançar.

Achei aquilo praticamente ofensivo!
Que absurdo ouvir aquilo.
Como forma de protesto, balancei mais alto.
Mas aquilo ficou ecoando na minha cabeça.

Que triste passarmos essa visão pras crianças. Adulto nunca tem tempo.
Ah esse famigerado que tanto nos falta... fiquei refletindo sobre aquela situação e só posso concluir: o mundo seria muito melhor se pudéssemos balançar mais vezes.

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Escolas e escolhas

"Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.
Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo.  Pássaros engaiolado são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo.
Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados.  O que elas amam são pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo,  isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros.  O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado."

Rubem Alves

domingo, 16 de junho de 2019

Tumiaki

Ser quem se é demanda coragem e resiliência.
Fazer o que se acredita também.
As pessoas vão te julgar, mas se você tem em mente o que quer e porque quer, não há nada que interfira.

Nos últimos tempos eu só posso agradecer o rumo que a minha vida tem tomado.
Estou muito orgulhosa da pessoa que me tornei.
As coisas têm dado certo, cada vez mais me percebo no caminho certo, fazendo o que eu acredito e agindo de acordo com o que acho correto.
Todo o esforço, choro e dedicação hoje em dia mostram resultado
Confesso que me sinto muito feliz e orgulhosa. Como é bom sentir-se assim!

2019 pode estar sendo um ano difícil. Mas estou me saindo corajosamente muito bem

terça-feira, 11 de junho de 2019

A viagem


 A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o visitante sentou na areia da praia e disse:
“Não há mais o que ver”, saiba que não era assim. O fim de uma viagem é apenas o começo de outra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite, com o sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre.
José Saramago

terça-feira, 14 de maio de 2019

.

Se nem da minha mãe consegui conquistar o amor, vou conseguir de outro?

Olha pra mim...
As vezes cansa. Ser sempre forte. resiliente.
Não vai dar. Não dessa vez.