segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Sobre os 27:

Retrato antigo

Quem é essa
que me olha
de tão longe,
com olhos que foram meus?

Helena Kolody

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

O despertar


Busque encontrar e acalentar aquela felicidade dentro de si. Você é uma pessoa incrível! 
Tudo o que você precisa está dentro de si.
Promova mais instantes de felicidade e partilha consigo mesma.
O amor é algo que acontece num processo de dentro para fora. Seja ele em movimento.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017



Até hoje ninguém foi capaz
de medir o seu tamanho
Você é o caos
E o coração
Você é oceano
E furacão
Te desvendar 
é para quem não teme


Mulheres Infinitas 

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Crepúsculos dominicais

Tem dias que a vida é foda.
Foda  no sentido de te foder.

Você passa a vida inteira construindo uma base, um entendimento a respeito...
Você se esforça pra compreender que: você não precisa de mais ninguém pra ser feliz ou completa.
Mas tem horas que a fraqueza bate.
E você apanha.

Apanha quieta, reagindo com taquicardia, com uma aflição que aperta o peito, e você não sabe como se livrar daquele sentir que te oprime, ocupa tua cabeça, acaba com tua respiração.
Você começa a desacreditar e, mais do que isso, duvidar de tudo que você sabe, acredita e construiu.

Um medo descomunal toma conta de ti, como se ninguém, nunca, jamais, fosse gostar do que você é. Como se jamais fosse possível alguém te olhar de novo com carinho.
A sensação de angústia vai tomando conta de ti, e você cria a certeza que nunca será digna de ser amada.

No meio da tormenta, um momento de insanidade vem me resgatar de mim, e berra a plenos pulmões: para que ser amada? porque essa necessidade? você precisa, primeiro, se amar! Antes de tudo é você consigo. E mais ninguém.
Por breves instantes respiro aliviada, mas logo o silêncio volta, e eu me deixo absorver pela minha mente atormentada.

Não entendo o porque, mas domingos a noite tem gosto de desespero para minha boca seca.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Gratidão é um verbo

Hoje sou grata.

Grata pela vida que tenho. Pelas conquistas que obtive.
Por ser quem sou. Por estar onde estou.
Grata por ter uma família que me ama. Por poder fazer o que me faz feliz.
Poder ser o que sempre sonhei. Escolher ser uma pessoa do bem. Seguir feliz nessa caminhada que escolhi para mim.

Se hoje eu morresse, olharia para tudo que fiz, tudo o que me forjou, tudo o que me transformou, e falaria: valeu a pena!

Cada lágrima, cada angústia, cada aflição, raiva, desolação.
Mas principalmente cada sorriso, cada conquista, cada superação.
Aquelas  coisas inesquecíveis: a primeira graduação. O primeiro emprego na área sonhada. A primeira viagem paga com o meu dinheiro. O sorriso de orgulho da minha mãe. A felicidade em ver meus irmãos se encaminhando.

Poder chegar no fim do dia, exausta da rotina cheia, mas feliz pelas escolhas que tive.

Sempre quis sentir isso: felicidade plena por ser o que sou.
Sou grata pelo que batalhei pra ser. Me orgulho do que me tornei.

terça-feira, 11 de julho de 2017

But happiness isn't always the best way to be happy

Tenho quase vinte e sete.

E ainda me orgulho das pequenas vitórias cotidianas.
Como quando eu me posicionei e disse o que queria para mim, o que gosto e o que pretendo. Sem culpa. Sem pressão.

Parece simplório, né?
só eu sei como foi dolorido o processo de amadurecimento.
Ainda bem!

Um dia de cada vez


Inside all of us is Hope



Where the wild things are.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Os outros também te definem

Peculiar significa característicoespecial, algo que é próprio de uma pessoa ou coisa. Em alguns casos, a palavra peculiar pode ter um sentido depreciativo, sendo usada como um sinônimo de estranhoesquisito ou invulgar.





"Encontrar nos outros coisas que são nossas produz identificações e é apaziguante. 
Mas encontrar em si mesmo alguma coisa que ninguém mais tem é libertador.
É na diferença em relação ao outro que, de fato, nos apropriamos da nossa própria existência"

Ana Suy

16/06/2017

Hoje eu quero dar parabéns á você, que está digitando palavra por palavra.
Você se superou.
Depois de praticamente morrer chorando achando que não encontraria amor próprio, depois de viver um relacionamento abusivo e desgastante, você se superou.

Porque a vida não é determinista.
Ainda bem!

Você percebeu que não é assim que funciona.
As pessoas não podem te usar como bem querem.
Você não merece isso.
Não é lógico uma pessoa dizer "não te quero mais" e depois vir te procurar.
Não é justo com você se permitir que ela te acesse.

Não tem nada a ver com dar o troco, ser rancorosa.
Tem a ver com você lembrar de si mesma. E não permitir que ninguém te machuque.
Você vale muito, e ninguém pode te dizer o contrário.

Hoje, o que você fez, foi falar isso: ninguém vai me machucar!
Ninguém vai brincar com o que eu sinto, com o que eu quero, com o que eu sou.
Parece simples, né?
Mas só a gente sabe como não é.
Só a gente sabe como foi difícil falar não.

Porque o caminho até aqui foi doloroso.
Durante muito tempo, você achou que não era assim que funcionava.
Você se permitia ser deixada de lado.
Você se permitia ser a segunda opção de alguém.
Você entendia que o amor era construído dessa forma.
Afinal, o que você viveu até agora, foi isso.

Amor nada tem a ver com dor.
Se tá doendo, tá errado.
Alguém te amar não significa que você vá acatar tudo o que essa pessoa disser ou fizer.
Não.
E se alguém for assim com você, questione também!
Ninguém merece esse limbo de ostracismo e migalhas.

Amar é liberdade.
Ser livre, e admirar a liberdade do outro.
Baseando-se na confiança, no respeito e na admiração que um nutre pelo outro.
Não aceite absolutamente nada diferente disso.
E sempre, sempre que titubear, venha reler isso.

Parabéns, garota.
Você percebeu que você é muito, pra ser insuficiente pros outros.





terça-feira, 30 de maio de 2017

Quero pedir desculpas à todas as mulheres que descrevi como bonitas antes de dizer inteligentes ou corajosas. Fico triste por ter falado como se algo tão simples que nasceu com você fosse seu maior orgulho quando seu espírito já despedaçou montanhas. De agora em diante, vou dizer coisas como: 'Você é forte!' ou 'Você é incrível!'. Não porque eu não te ache bonita, mas porque você é muito mais do que isso

- Rupi Kaur
Outros jeitos de usar a boca

sábado, 20 de maio de 2017

Para nunca esquecer.

Ultimamente, ao ler e entrar cada vez mais em contato com feministas lésbicas eu passei a enxergar minha sexualidade por outra ótica, e passei a enxergá-la como um obstáculo à minha real emancipação. É incrível a lucidez das lésbicas pra falar de gênero, ou melhor, é incrível a lucidez de mulheres que se libertaram da manipulação e da necessidade de aprovação masculina pra falar de gênero.
Sou majoritariamente heterossexual, e com isso quero dizer que já me apaixonei por mulheres e sou aberta a envolvimento afetivo com mulheres, porém a maioria esmagadora das vezes que me apaixonei na vida, e a maioria de todas as minhas experiências até hoje foram heterossexuais. Não consegui ainda descobrir até que ponto a socialização feminina e a heterossexualidade compulsória, às quais fui submetida desde o nascimento, influenciaram a vivência da minha sexualidade. Acredito que essa descoberta seja um processo e, nesse ponto do caminho, me identifico como bissexual, majoritariamente heterossexual.
Ser uma mulher negra e feminista em um relacionamento hétero é um misto de incompletude, abuso, inquietação e culpa. É uma prisão que a minha consciência de que todo relacionamento heterossexual será, em algum nível, abusivo não me blinde de me apaixonar por homens. Cada vez mais em relacionamentos heterossexuais eu sou colocada diante de uma verdade dura que eu não queria realmente acreditar: os homens não amam as mulheres.
Não, os homens não nos amam, não são capazes de algo tão grande por nós. Não são capazes de se deixar por nós, de se abandonar, de abandonar seu lugar de privilégios por nós.
A assimetria que eu enxergo nos relacionamentos heterossexuais é perversa: os homens são socializados pra independência, pra manipulação e pro abuso; e as mulheres, pra dependência, pra carência e pro perdão, assim os dois lados se completam em prol da manutenção do domínio masculino. Essa assimetria é cruel porque faz com que as mulheres se deem muito fácil, faz com que perdoem sempre tudo e que sempre carreguem sozinhas o fardo da manutenção do relacionamento. Ao mesmo tempo faz com que os homens ocupem a posição de conformidade, de “errei de novo, mas me desculpa, sou homem, estou tentando”, o homem se sentirá suficiente, sentirá que já está fazendo muito por apenas tentar e nos manipulará todo o tempo para acreditar que nós é que somos muito difíceis e exigentes. Aqui é importante destacar que ele não trabalhará sozinho nessa manipulação, contará com forte e indispensável ajuda da sociedade patriarcal que, à todo tempo naturaliza abusos em nossa cabeça e faz com que sintamos culpa por não aceitá-los.
Cresci, como muitas meninas, envolta em um ambiente familiar em que observei acontecerem muitos relacionamentos abusivos à minha volta, e foi a partir dessa observação dos abusos cotidianos da vida conjugal que hoje eu entendi o lugar que acabei ocupando dentro de relacionamentos abusivos. Cresci vendo minha mãe, minhas tias, vizinhas, perdoando, sempre e sistematicamente se anulando e aceitando abusos em nome da manutenção de um relacionamento que não era bom pra elas, mas quem eram elas sem um homem do lado? Nós temos medo da solidão, e por isso nos submetemos a tudo, porque nos ensinaram que nada pode ser pior que estar sozinha. Para a sociedade patriarcal uma mulher solteira e que distoa, em algum nível, dos padrões impostos de beleza e feminilidade é a materialização do fracasso e da infelicidade. Sim, é essa a resposta: suportamos e mantemos o que não queremos por medo.
Hoje acredito que aprender a lidar com a solidão talvez seja a única ferramenta efetiva contra relacionamentos abusivos. Aprender a ser só não é uma arma com a qual sou capaz de enfrentar o patriarcado de peito aberto e sair ilesa, mas um escudo com o qual posso alterar minha realidade individual. Estar só nos traz consciência, discernimento, traz força e coragem também. Estar só me trouxe o discernimento de quando o relacionamento é bom pra mim, ou não, me trouxe consciência de que a minha solidão não é um fracasso, de que não preciso anular quem eu sou e me submeter a abusos para estar bem comigo mesma. Minha solidão é um processo de resistência à cultura patriarcal de domínio e de abuso masculino sobre meu corpo e minha humanidade.
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Aprendemos desde cedo que a mulher é quem deve prezar pela manutenção do lar, a qualquer custo, a custo da própria liberdade, dos próprios sentimentos e saúde emocional. Crescemos aprendendo que a mulher deve ser tolerante, que devemos “segurar o homem”, que devemos ser flexíveis e aceitá-lo como ele é porque “homem é assim mesmo”, que devemos ter saúde emocional e paciência além da conta pra aguentar “a natureza selvagem e viril do macho”. 
Eis aí parte  da desgraça da feminilidade.
A nossa desgraça é bonita, a gente aprende a confiar e a perdoar muito facilmente e isso é bonito, tudo isso é, na verdade, super bonito. Tudo isso que a gente sente, toda essa nossa capacidade de amar, de se dar é de uma confiança absurda. Nós compartilhamos com os homens a beleza da nossa desgraça e acreditamos que eles podem entendê-la, acolhê-la, que podem nos amar. Nós damos aos homens uma confiança que eles não merecem, e lhes dedicamos um amor de uma grandeza que eles não tem a capacidade de valorizar. Acreditamos, sempre, e de novo, e outra vez, que tudo pode ser diferente, há uma beleza nessa inocência, uma beleza cruel, uma beleza perversa, uma beleza que sangra e que nunca cicatriza.
Uma coisa que eu aprendi é que os meus sentimentos e minha desgraça, nada disso nunca vai estar acima do privilégio masculino. No fim os homens sempre vão agir se priorizando, foi o que eles aprenderam a fazer, e a gente sempre vai agir se secundarizando, é o que a gente aprendeu a fazer. A manipulação masculina se apresentará de formas sutis: frieza, chantagem emocional, silêncio. E, se não estivermos atentas, nosso amor servirá à manutenção do patriarcado, e a manipulação masculina será capaz de inverter o sentimento de culpa sempre pro nosso lado.
O “amor” masculino precisa da nossa obediência, subserviência, da nossa submissão e servidão sexual pra se manter. O “amor” masculino é muito necessitado da nossa objetificação, consequentemente, da nossa desumanização. O “amor” masculino é algo muito despreocupado com o nosso cuidado, com os nossos sentimentos. O “amor” masculino é extremamente volátil e egoísta, é algo capaz de sumir num passe de mágica em nome da manutenção dos próprios privilégios.
E foi nesse processo de vivência de todas as nuances em que pode se apresentar o abuso e a manipulação masculina dentro de relacionamentos heterossexuais, que eu por fim entendi. Entendi que devo matar essa beleza dentro de mim, devo resistir à feminilidade que me foi imposta e me colocar sempre em primeiro lugar. Devo me priorizar, me ouvir, estar atenta aos meus sinais. Devo parar de me preocupar com os homens de uma forma que eles jamais serão capazes de se preocupar comigo. Dentro de um relacionamento heterossexual, devo ser mais egoísta, devo reverter grande parte do meu cuidado com o outro em auto cuidado. Devo ser “complicada” “difícil” e “exigente”, porque tudo isso é por mim.
Um homem que quisesse nos amar deveria entender tudo isso, deverá entender que a assimetria socialmente imposta pede como resposta que tentemos construir, em esfera micropolítica, um relacionamento contrariamente assimétrico. Devemos resistir aos comportamentos padrão de feminilidade e masculinidade para tentar tornar a relação homem-mulher não-sistematicamente abusiva. Os homens deverão sim priorizar sempre o que a gente sente com relação ao que eles fazem, e não sempre jogar de novo nas nossas costas o peso e a responsabilidade de lidarmos sozinhas com as nossas inseguranças.
Isso não é amor, isso é egoísmo , isso é controle e isso é domínio masculino.

texto copiado desse link aqui. Negra Solidão. 

terça-feira, 9 de maio de 2017



Ter fé e ver coragem no amor