sexta-feira, 13 de novembro de 2009

behind

Estava pensante
Quieta.

Algo lhe intrigava.
Se perdia em devaneios minunciosos.
Eu, dentro da minha curiosidade, louco para saber o que se passava por baixo daqueles cabelos sedosos.

Seus lábios balbuciavam algo indecifrável
Franzia a testa, formando uma pequena ruga, de modo a acar-lhe as sobracelhas.
Seu cabelo escuro, envolto num gracioso rabo de cavalo torto, dava-lhe um ar despojado, como se não estivesse nem aí para o que pensassem dela.

E não estava.

Continuava quieta, refletindo sobre o que não se saberá.
Seu olhos perdiam-se no vasto campo de seus pensamentos, demonstrando a sua ausência naquele instante.

Era curiosa sua maneira de agir.
Os fones nos ouvidos, a libertavam de um mundo insensível.
Transportando-lhe para uma outra dimensão
Imersa em seus devaneios.

Minha presença nem era notada
de longe, eu guardava cada movimento em sua face
cada expressão
tentando compreender, o que poderia intrigar uma criatura tão doce como aquela.


Era digna de um espaço em minha memória.

17:10



Vou,
Vou pregar na parede
Um pedaço de céu
Que você me mandou

Vou buscar outra constelação
Entre a noite que vai
E o dia que vem.

Eu canto aqui
Eu moro aqui
Eu amo aqui
Eu vivo.






Aqui

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

12:06




Me esqueça sim
Pra não sofrer
Pra não chorar
Pra não sentir


Me esqueça sim
Que eu quero ver
Você tentar
Sem conseguir

A cama agora está tão fria
Ainda sinto seu calor
Me esqueça sim
Mas nunca esqueça o meu amor...


Grão de Amor

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

17:56





Nalgum lugar em que eu nunca estive
Alegremente além
De qualquer experiência
Teus olhos tem o seu silêncio
No teu gesto mais frágil
Há coisas que me encerram
Ou que eu não ouso tocar
Porque estão demasiado perto
Teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
Embora eu tenha me fechado como dedos
Nalgum lugar

terça-feira, 10 de novembro de 2009

14:40

"Que não sente a sua falta
e quando você chega em casa
ela não sente a sua presença

Ela tem um travesseiro
mais macio do que o seu braço
e um acolchoado muito mais
quente que o seu abraço

Ela quer viver sozinha
sem a sua companhia
e você ainda quer
essa mulher..."

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

17:28

"É Deus, parece que vai ser nós dois até o final..."

!


"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido.

Eu não: Quero uma verdade inventada!"








Brisa.

Acho que todos deveriam se sentir assim
ao menos uma vez na vida.

Ousar essa liberdade

Brincar. Tornar a ser criança.
Essa vida é tão séria, tão amarga, tão cinza.
Devemos é agir intensamente.
Ser de corpo e coração...

Pensar demais faz mal.

Encarnar outros personagens, para sairmos da rotina.
Ser princesa, ser boneca, ser dona de si.
Trazer à tona aqueles sentimentos esquecidos.
Os sorrisos, as lembranças,. Trazermos a nós mesmos.

Sofrer da síndrome do peter pan.

Envelhecer, sim.
Mas não perder essa douçura infantil.

Fazer caretas, contar piadas, rir dos próprios erros.
Rir, rir muito.
Principalmente, rir sem motivo. Como bobos.

A vida não precisa de motivos para ser bela.
Ela é simplesmente assim... Viva!
Não se renda a esses tabus da nossa sociedade inescrupulosa.

Deixe florescer esse riso
Permita-se!


Lassen Sie fliegen

23:51



Como dois estranhos,
cada um na sua estrada,
nos deparamos, numa esquina, num lugar comum.
E aí?
Quais são seus planos?
Eu até que tenho vários.
Se me acompanhar, no caminho eu possso te contar.
E mesmo assim, eu queria te perguntar,
se você tem ai contigo alguma coisa pra me dar,
se tem espaço de sobra no seu coração.
Quer levar minha bagagem ou não?

E pelo visto, vou te inserir na minha paisagem
e você vai me ensinar as suas verdades
e se pensar, a gente já queria tudo isso desde o inicio.
De dia, vou me mostrar de longe.
De noite, você verá de perto.
O certo e o incerto, a gente vai saber.
E mesmo assim,
Queria te contar que eu tenho aqui comigo
alguma coisa pra te dar.
Tem espaço de sobra no meu coração.
Eu vou levar sua bagagem e o que mais estiver à mão.



dois - Tiê

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

11:50

A idiotice é vital para a felicidade.
Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre.
Putz!
A vida já é um caos,
por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado?
Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins.
No dia-a-dia, pelo amor de Deus,
seja idiota!

Ria dos próprios defeitos.
E de quem acha defeitos em você.
Ignore o que o boçal do seu chefe disse.
Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele.
Pobre dele.

Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice.
Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto.
Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo,soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça?
hahahahahahahahaha!...
Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana?
Quanto tempo faz que você não vai ao cinema?

É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas.
E daí,o que elas farão se já não têm por que se desesperar?
Desaprenderam a brincar.
Eu não quero alguém assim comigo. Você quer? Espero que não.
Tudo que é mais difícil é mais gostoso,

mas... a realidade já é dura;
piora se for densa.

Dura, densa, e bem ruim.

Brincar é legal.
Entendeu?
Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço,não tomar chuva.
Pule corda!
Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte.

Ser adulto não é perder os prazeres da vida - e esse é o único "não" realmente aceitável.
Teste a teoria.
Uma semaninha, para começar.

Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são:passageiras.
Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir...

Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!
Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora?

A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios.
Por isso cante, chore,dance e viva intensamente antes que a cortina se feche!

- Arnaldo Jabor -

01:13

Sem horas e sem dores
Respeitável público pagão

a partir de sempre
toda cura pertence a nós
toda resposta e dúvida
todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser
todo verbo é livre para ser direto ou indireto

nenhum predicado será prejudicado
nem tampouco a vírgula, nem a crase nem a frase e ponto final!

afinal, a má gramática da vida nos põe entre pausas, entre vírgulas
e estar entre vírgulas é aposto
e eu aposto o oposto que vou cativar a todos
sendo apenas um sujeito simples
um sujeito e sua oração

sua pressa e sua prece
que a regência da paz sirva a todos nós... cegos ou não
que enxerguemos o fato
de termos acessórios para nossa oração
separados ou adjuntos, nominais ou não
façamos parte do contexto da crônica
e de todas as capas de edição especial
sejamos também o anúncio da contra-capa

mas ser a capa e ser contra-capa
é a beleza da contradição
é negar a si mesmo

e negar a si mesmo
é muitas vezes, encontrar-se com Deus
com o teu Deus

Sem horas e sem dores
Que nesse encontro que acontece agora
cada um possa se encontrar no outro
até porque...

tem horas que a gente se pergunta...
por que é que não se junta
tudo numa coisa só?

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

16:31

Antes que o tempo,
a Clave De Fá Do Si La Sois
Antes da noite, uma tarde
Pra cada um de nos
Antes do barco, a chuva
Antes da roda, o frio
Antes do vinho, a uva
E a fruta que não caiu

Fez dessa Terra um cenário
Pras peças que nos pregaram
Fez bico de pena e diário
Pra escrevermos a regra e a exceção

Criou o perdão e o pecado
Criou a dor e o prazer
Criamos o certo e o errado
E o orgulho pra nos esconder
Do que prevalece em nós...

Antes que o tempo, a clave
Sustenidos e bemóis
Antes do inteiro, a metade
Uma outra parte de nós
Antes do vôo, o tomboum uta pra não chorar
Antes tarde do que nunca, pra nunca mais demorar
Antes do homem o medo
Antes do medo o amor
Antes do amor a dúvida
Pois nem Deus sabe quem criou
E o que prevalece em nós

Exílios calados quimeras que exalam sós

E tudo que eu criar pra mim
Vai me abraçar de novo semana que vem
E tudo que eu criar pra mim
Vai me abraçar de novo
Vai me negar também
semana que vem

Antes que o tempo acabe...


(A Primeira Semana)