segunda-feira, 28 de março de 2016


Eu amo-te sem saber como, ou quando, ou a partir de onde. Eu simplesmente amo-te, sem problemas ou orgulho...

Pablo Neruda

terça-feira, 15 de março de 2016

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"Quando um copo quebra, por mais que se recolham os fragmentos, algo ficará piscando no chão no dia seguinte. Viver é se cortar, não contar os riscos. Não há como amar sem dar tempo ao ódio. Não há como odiar sem dar tempo ao amor. Paixão é não saber. Quando se sabe, é amor."

CarpiNejar

quinta-feira, 3 de março de 2016

Um ser ontológico. Eu sou.

Hoje eu li um texto que falava sobre saudade.
Fiquei com os olhos marejados. Porque saudade é assim. Especialmente a saudade daquelas que eu escolhi pra chamar de minhas.

A medida que amadureci fui sendo obrigada a conviver com esse sentimento louco e ambíguo.
E ele é dolorido. Porque a saudade só existe daquilo que já vivemos e fomos ceifados. Seja um momento, seja uma companhia.

Nunca soube lidar com esse negócio estranho, quase inominável. Definitivamente: com distância eu não sei lidar. Seja distância física, seja emocional.

E eu sofro, sofro copiosamente. Por não ter mais aquela relação cotidiana. Sofro por não ter aquela companhia pra dividir as aflições. Por não ter alguém pra contar a felicidade imediata. Por não ter alguém que compreenda o meu jeito e aceite todos os trejeitos chatos que tenho.

Eu sei. A saudade está diretamente ligada com a maturidade. Conforme você vive, a vida te cobra e te suga. Não há o que ser feito além de correr para sobreviver da melhor maneira.
E é durante essa corrida que as coisas se esvaem pelos dedos.

É muito louco. Porque ao mesmo tempo que você vai se afastando,  você reforça aqueles laços.

Hoje em dia eu sei que as minhas amigas são muito mais minhas do que já foram um dia. Porque o tempo, esse menino maroto, sabe agir com destreza. Ao decorrer dos dias, eu refaço minhas escolhas. Eu escolho de quem eu vou sentir falta. Eu escolho quem vale a pena deixar os olhos marejar.

Em resumo. A maturidade dói. Eu sempre soube disso. Mas viver essa parada maluca é muito mais complexa do que eu um dia supus.
E acredito que jamais serei madura suficiente pra compreender essas distâncias que a vida nos obriga.

Àquelas que chamo de minhas, deixo registrada aqui minha saudade cotidiana de cada uma.
Mas deixo também minha gratidão eterna, por de fato serem minhas.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Pois é.

"Pois é cara
Eu te liguei
Eu realmente estava afim
Queria mesmo transar
Foder
Trepar
Sem me preocupar com nada
Sem ter medo do que você iria pensar
Ou se você iria espalhar.
Puta
Safada
Vadia
Tarada
Pode falar
Continua falando
Enquanto tu fala eu to gozando
Eu to dançando na chuva
Estou anulando a dor.
Que dor?
A dor de ser discriminada
Humilhada
Desprezada
Pelo simples fato de ser mulher
Sim, ser mulher tem lá o seu preço
Tem a sua cruz.
Não quero abrir mão dessa casa pequena
Onde cada sentimento meu tem lugar
Tem espaço
Tem liberdade.
Não preciso do teu sobrenome
Na verdade nem lembro o seu nome
Minha intenção não era te conhecer
Te entender
Ou te pertencer
Eu só queria mesmo foder
Com você e com quem eu quisesse.
O que eu sinto fazendo isso?
Prazer!
Já amei?
Claro!
Já chorei?
Muito!
E agora quero ficar em paz comigo
Não preciso de alguém.
Se eu te liguei
Foi porque saquei que você não queria ser meu
E nem de mais ninguém
Olha que coincidência cara!
Pois é, eu também."

-Helena Ferreira.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Odoiá

Ela é de Yemanjá
Eita moça
Que coração intenso
parece que tem um mar aí dentro
És sereia que caminha sobre o Aiye
Oras mar tranquilo outras nem tanto
Se tem um povo que não foge da luta
É o povo de maré cheia
Cheia de encanto e beleza
És a parte mais linda que estar
Sempre presente em nosso caminho para nos alegrar
És a força das ondas
As dunas douradas e ensolaradas em dias de verão
És o dengo precioso de Yemanjá
É a pérola que enfeita sorrisos
Orí que transborda axé
É mulher inteligente que enfrenta
Mas sabe quando deve recuar
assim como o mar
Seu olhar é como espelho d'água
Conseguimos enxergar e sentir
todo seu amor, suas emoções
Ninguém segura você
Mas você tem poder de manter perto
Quem merece estar
Afinal tolo é que não ama
MAR

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Bem no fundo

No fundo, no fundo
bem lá no fundo
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto

A partir desta data
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela - silêncio perpétuo

Extinto por lei todo o remorso
maldito seja quem olhar para trás
lá para trás não há nada
e nada mais

mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos
saem todos passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas


Leminski

Imediato







A gente fica esperando que a alegria haverá de chegar depois da formatura, do casamento, do nascimento, da viagem, da promoção, da loteria, da eleição, da casa nova, da separação, da aposentadoria...
E ela não chega - porque a alegria não mora no futuro, mas só no agora.



Rubem Alves 



quinta-feira, 21 de janeiro de 2016



Se por uma sereia se apaixonar
Tens que aprender a nadar
E em mares de revolta saber velejar;
Mas se queres Teu coração
Tens que ser mar. Tens que se entregar
Pois se uma sereia queres a(mar)
Permita-se por inteiro
Se afogar


terça-feira, 12 de janeiro de 2016

"Uma vez que os acasos acontecem, não se pode voltar atrás"

Eu estava pronta para escrever sobre a minha desventura, meu coração partido, minha decepção. Sobre a frase que ficou engasgada. E toda aquela catarse de sentimento que vem quando a gente fica assim. 

Seria exatamente assim.
Se eu não tivesse recebido aquele envelope. Aquele, em papel manteiga. Com um perfume desconhecido, que invadia o espaço mesmo estando fechado. 

Engraçado né. Em pleno 2016. Cartas manuscritas. Envelopes fechados.
Emoções seladas. Soa bonito. Mais ainda quando abrimos, e sentimos.

Não poderia ser diferente nessa carta. 

"Sabe, eu acredito que as coisas acontecem nos momentos em que podemos lidar com elas, acontecem no momento certo." 

Sim. Eu sei. 
As coisas acontecem em seu momento. E elas aparecem para nós no momento certo. 
Não existiria momento mais certo pra eu ler isso. 
E aí a catarse veio. E eu chorei. 

Mas não foi um choro por conta da mágoa que existia. 
Foi um choro de felicidade. Porque, mesmo com coisas difíceis, a vida tem coisas magníficas. E é mágico quando acontece dela apresentar esses pequenos gestos quando a gente mais precisa. Quando você consegue se permitir tocar e observar, aquilo transfere-se de um sentido tão grande. 

Me senti amada e acolhida por aquelas palavras. 
Senti que existem coisas que significam tanto, dizendo tão pouco. 
E tudo aquilo só poderia vir dela. 
Ela sabe daquilo que sinto. Ela sabe aquilo que vai batendo lá no fundo, que solidifica e cristaliza na alma. Ela tem mais de duas décadas comigo, eu não preciso ser diferente do que sou. 

Ela tem um jeito único pra se fazer presente na minha vida. 
Na sua singularidade. Na sua crítica (que é constante, é verdade). Na sua lealdade e observação. 

Obrigada, minha amiga, por me fazer sentir assim. 
Obrigada por, mesmo sem querer, fazer tanto sentido.


"Se eu pudesse lhe dar uma coisa na vida, eu lhe daria a capacidade de enxergar a si mesmo através dos meus olhos. Só assim você perceberia o quanto é especial para mim".
- Frida Kahlo.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

A Ana Que foi. A Ana que é. A Ana que vem.





Era outra vez.

Era outra vez aquela história que todo mundo acha que sabe, que acha batida, mas que na verdade sempre surpreende.

Nossos personagens principais dessa história são três meninas:
A Ana que foi. Ana que é e a Ana que vem.
São três Anas diferentes. Mas nem tão diferentes assim, porque uma não existe sem a outra. Nem a que vai ser, muito menos a que foi.

A Ana que foi era uma guriazinha dos cabelos esvoaçantes e cacheados. Desde sempre foi encantada por histórias, vivia em bibliotecas, gostava de ouvir, gostava de contar. Quando pequena, escrevia e apagava histórias. Contava pras bonecas, pros cachorros, irmãos mais novos, vizinhos periquitos e papagaios que encontrasse pelo caminho.

A Ana que foi, foi muito. Muito amada, muito briguenta, muito atrapalhada, muito entregue a tudo que fazia, muito determinada, muito reclamona, muito de opinião. Muito muito. No decorrer do tempo, foi também aprendendo. Porque foi passando de tempo em tempo, e o ir ensina, o ir amansa, o ir acalma. Ao longo de tantas idas, ela foi longe.

Tiveram alguns caminhos felizes, como o nascimento dos irmãos. A família cheia de primos, que possibilitava os sonhos e fantasias das idas e voltas. Tiveram os amores das mães, tios, tias, avós, amigos. Tiveram a descobertas de amizades verdadeiras, felicidades espontâneas e sem compromissos com o fim. Idas deliciosas durante tardes ensolaradas e floridas.

Mas também tiveram caminhos dolorosos e tortuosos.  Caminhos com perda de gente querida e especial, doenças que acarretaram na surdez moderada permanente da Ana que Foi, e violências. Violências físicas, violências psicológicas, violências estruturais.  Violências que nem ao menos sabia-se que eram formas de violência.

E a Ana que foi, continuou indo... e foi virando resiliente. Aprendeu a sofrer, aprendeu com o sofrimento, e o mais importante de tudo: aprendeu a dar um retorno em forma de amor à toda dor e sofrimento causada sem saber ao certo o motivo.

Eis então que a Ana que foi decidiu que seria assim. Amor não precisa de motivo. E por mais que tivesse sofrido, ela também tinha recebido muito amor ao longo da vida.
Então, a Ana continuou indo, criou um projeto social chamado Vagalumes, que atende a crianças carentes, há sete anos.  Foi por esse caminho que Ana decidiu trilhar. E agora, de tanto ir, a Ana é.

A Ana que é, é diferente da Ana que foi.
Mas a Ana que foi compõe parte essencial da Ana que é.

Ana que é traz ainda aquele ideal sonhador, que acredita na mudança da sociedade, que quer fazer alguma coisa eficaz pelas pessoas, que quer diminuir a dor de outras crianças que sofreram e sofrem tanto quanto a Ana que foi. A Ana que é tem os pés no chão. Mas não deixou de ter a cabeça nas nuvens. Porque a Ana que é acredita que a que foi sempre estará por perto, relembrando-a das necessidades e das belezas da vida.
A Ana que é, é altiva, é resiliente, é empatia, é se colocar no lugar do outro, é olhar com ternura, é colo pra acolher. Mas é também pulso firme, é furacão quando precisa, é saber se portar com firmeza, é saber o caminho que vai trilhar.

Não vou mentir não. Ana que é tem dúvidas e medos como todo mundo. Não tem vergonha de errar, muito menos de admitir seus erros.
Ana que é, foi fazer Direito. Não gostou, voltou atrás. E agora decidiu que é outra coisa.

Ana que é agora vai pra trilha do serviço social. Daqui a pouco, o pouco é relativo pra cada um, vira assistente social de verdade. Mas a trilha se ramificou, e a Ana que é, foi também pedagogia. É sim senhor. Ela relutou um pouco em aceitar o fato, mas a verdade é que ela sempre foi de criança. E ela sempre foi de ensinar. Agora tem que ser assim.

A Ana que é é cheia de coisa. Ela sempre inventa coisa pra fazer no seu tempo. Tem as faculdades ao mesmo tempo, tem pesquisa, tem curso de línguas, tem aulas pra dar, tem projeto pra cuidar, e agora tem história encantada pra contar.

Ufa! A Ana que é é muita coisa. As vezes ela precisa de uma ajudinha aqui, um empurrão ali, mas ela é assim, não consegue ficar muito tempo sem fazer nada. Tem que fazer tudo, bem feito, ao mesmo tempo. E é incrível, porque ela consegue.

A Ana que é tá no meio das duas faculdades. Mas os compromissos sociais dela sempre vêm em primeiro plano, porque a Ana que é não esquece da Ana que foi. E pra ser, precisa ser em conjunto, pra Ana que é ser, ela precisa do outro.

A Ana que vem tá próxima, muito próxima. Dentro de seis meses, posso te dizer que Ana que vem vai estar cheia de coisa pra contar, cheia de tarefa pra fazer e cheia de amor pra dar, cheia de coisa pra aprender, cheia de coisa pra ensinar. Porque a Ana que vem é aprendizado, é sagacidade, é vontade de crescer, é contribuição com a sociedade. É história sendo contada junto com quem já sabe contar. É humildade pra entender e conhecer. É cooperação com o história viva, é fidelidade à causa, é acreditar na causa. Porque a Ana que vem não esquece da Ana que é. Nem da Ana que foi.

Não tem como esquecer.

E daqui um ano, a Ana que vem vai estar mais cheia de coisa ainda. Na metade do curso de pedagogia, no fim do curso de serviço social. Dando carona pra 26ª turma do história viva, cuidando do vagalumes que vai estar encaminhado para virar ONG, cuidando dos irmãos que já estão grandes, amando as mães como elas são, seguindo os passos da religião escolhida. Quem sabe vá estudar fora, quem sabe vá ser presidente do centro acadêmico, quem sabe falando outra língua fluentemente, quem sabe compondo um tcc sobre a violência doméstica feminina e infantil.

Em cinco anos, meu deus, a Ana que vem foi longe, looonge demais... tão longe, que não se pode ver ao certo. Com sorte, ela vem estar formada nas duas faculdades, venha a estar trabalhando na secretaria de educação, venha fazer políticas sociais, venha a fazer um mestrado em direitos humanos, venha a palestrar pra mulheres sobre como elas devem ter autonomia e soberania sobre suas vidas, venha a discursar sobre violência, venha a aprender a perdoar os violentos, venha ser militante ativa, venha a ser mãe da Ana Terra e da Maria flor, venha a ter uma gata chamada Frida, venha a ter um amor pra chamar de seu, venha a efetivar o sonho da ONG dos vagalumes, mas principalmente, venha a fazer diferença nas histórias que serão contadas.
Porque a parte mais bonita da história é que ela pode ser o que você quiser.

Quem sabe ela comece com era outra vez...

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Texto escrito em meados de abril de 2015.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Das habilidades que o mundo sabe, essa é ainda a que faz melhor: Dar voltas. 

José Saramago. 

domingo, 6 de dezembro de 2015

Das reflexões cotidianas

Coleciono matchs. Likes. Combinações.
E desilusões.

Sobre a superficialidade das relações.
O que é um a mais na sua lista? Aquilo de fato soma algo pra você ?
Ou apenas cresce seu ego por saber que várias pessoas te desejam, mas você não significará nada para elas.

Meio louca essa relação de dominação.
Meio estranha essa nova forma de querer alguém
Nunca te vi. Mas desejo o que você aparenta ser.
Não sei quem você é. Mas também não quero saber muito mais do que o match trocado e o beijo dado.

As relações são superficiais. Você não precisa ser algo construtivo e diferente.
Basta você aparentar.

Você pode até ser legal. E se for, que sorte. Mas procura-se alguém apenas para aliviar a tensão acumulada.

Nessa sociedade do eu e meu umbigo, pouco sobra para que eu veja o outro. O outro serve apenas para me satisfazer. Nem que seja momentâneo. Afinal. Eu tenho meus planos, tenho minhas convicções,e nelas não têm espaço para uma segunda ideia ou vontade.

Esse like serve apenas para afirmar o que eu sempre soube. Que sou ótimo. Sou lindo. Todos me querem.

Mesmo que essas combinações jamais falem comigo.
Um dia, nem que por breves segundos, quando olhou meu perfil naquele catálogo humano, a pessoa me quis. Me desejou.

E nesse momento, eu cumpri meu objetivo.

sábado, 5 de dezembro de 2015

Acho incrível ver pequenas manifestações espontâneas de amor.

É de encher o coração de esperança.