segunda-feira, 13 de março de 2017


Tu

Tu
é trevo de quatro folhas
manhã de domingo à toa
Conversa rara e boa
Pedaço de sonho que faz meu querer acordar
Pra vida

Tu
Que tem esse abraço
casa
se decidir bater asa
me leva contigo pra passear
Eu juro
Afeto e paz não vão te faltar

Ah.
Eu só quero o leve da vida pra te levar
E o tempo para,
Ah
É a sorte de levar a hora pra passear
pra cá e pra lá
Quando aqui tu tá.

- Anavitória - Trevo

sábado, 11 de março de 2017

Pequenos prazeres

Poucas coisas nessa vida me dão prazeres tão extasiantes.
Acho que, talvez, eu seja daquelas difíceis de agradar, que fica constantemente inquieta e busque sempre mais.
Ou talvez eu seja daquelas pessoas que sabe o potencial que a vida pode oferecer, e não se deslumbra com qualquer coisa.

O fato é: poucas coisas nessa vida me dão tanto prazer quanto, por exemplo, fechar o blackout da cortina.
Explico.
Minha rotina é daquelas atribuladas. Que eu tenho que parar pra pensar, senão, faço tudo no automático. Corro o dia inteiro. E gosto muito disso!
Mas, durante a semana, durmo pouco. Isso faz com que eu sinta uma dificuldade descomunal para acordar, e sinta sono sempre.
Como estratégia da minha própria dinâmica de vida, durmo com a cortina aberta. Todos os dias. Para ser acordada pelo sol, ou no caso de Curitiba, pela claridade.

Fechar o blackout, para mim, é uma redenção!
Significa a paz do sono tranquilo e sem hora para terminar. A falta de pressa e coisas urgentes a serem feitas. Um presságio de calmaria e serenidade nessa vida atribulada que levo.

Bobo é aquele que se deslumbra com coisas materiais, com o momentâneo e temporário.
Ostentação mesmo é dormir 8h por dia, com blackout fechado.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Pra ver se entendo

Faz tempo que não apareço por aqui. 

Tenho tentado sintetizar e canalizar as emoções de outras maneiras.

Afinal, a vida não pode parar em virtude de uma decepção. Ainda mais desse porte. 
Tenho seguido aquela cartilha de 'cabeça ocupada' para não pensar em besteiras.
Tem dado certo? Não muito. Mas uma hora vai ter que dar
Voltei pra terapia.
Voltei pra academia

Voltei a olhar pra mim. 

E isso é mais complexo do que eu imaginava. 

Passei a me perguntar: Em qual momento me deixei de lado? 
Como pode isso acontecer? Se deixar de lado, se anular. O inconsciente é algo muito louco. 

Logo eu. Feminista, que discute violência de gênero, relacionamentos abusivos e tudo mais. Se permitir cair numa coisa tão besta como essa. 

Isso foi um tapa na minha cara, pra me mostrar que por mais informação, por mais conhecimento e estudo, você nunca estará imune a isso. Você é uma pessoa, carne, alma, coração. Ainda bem! E você sempre estará sujeita às dores do mundo. 
É claro que seria ótimo não passar por isso. Mas têm coisas que são inevitáveis. 

Dói?
E como!


É horrível essa sensação bosta de que você foi feita de besta, passada para trás, manipulada, que usaram seu sentimento e seu coração. 

Mas a culpada não é você. 
E sim quem fez isso contigo. 

Que bom que você ainda sente, sofre, chora, se entrega. Isso significa que você tá viva, se dispondo a dar para o mundo o que você tem de bom. 

Você não pode se fechar para o mundo por conta do que fizeram com você. 
Você não pode generalizar achando que será sempre assim. 

Ok. É compreensível que você esteja se resguardando, se preservando. Inclusive, é necessário. 

Entender que existem outras dinâmicas além daquela que você julgava conhecer e ser a certa. Olha que coisa boa. Afinal, não é pra isso que estamos aqui? 

Mas não se reduza ao que fizeram contigo. 

Não permita que isso interiorize e faça com que você se afaste daquilo que você acredita. 
Você merece muitas coisas boas. Lembre sempre disso. Uma hora as coisas voltarão. 

"Não adianta nos esforçarmos para sermos amados, pois o que causa amor no outro é aquilo que somos sem perceber. É aí que o amor nos interessa, nas notícias ocultas que traz de nós."



terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Desaguar

"Dizem que antes de um rio entrar no mar, ele treme de medo. Olha para trás, para toda a jornada que percorreu, para os cumes, as montanhas, para o longo caminho sinuoso que trilhou através de florestas e povoados, e vê à sua frente um oceano tão vasto, que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre. Mas não há outra maneira. O rio não pode voltar. Ninguém pode voltar. Voltar é impossível na existência. O rio precisa de se arriscar e entrar no oceano. E somente quando ele entrar no oceano é que o medo desaparece, porque apenas então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano, mas de tornar-se oceano".

Osho

sábado, 4 de fevereiro de 2017

domingo, 29 de janeiro de 2017



Já diria Saramago: O caos é uma ordem por decifrar.

As coisas aparentam estarem todas fora do lugar.
As bagunças se espalharam para todos os aposentos, e você não sabe por onde começar a arrumar.
É difícil. Parece que você vai viver para sempre no meio dessa coisa estranha.
Você não sabe pra onde correr, e ao mesmo tempo, já cansou de tentar organizar.
Bem no fim, você pondera permanecer ali, daquele jeitinho. Afinal, já está há algum tempo assim.

Já te adianto: não vai dar certo.

Deixa o caos vir, se insere dentro dele, vivencia tudo o que ele pode te oferecer.
Permita se descobrir.

Mas depois, reorganiza tudo. Mesmo que seja pra deixar fora de outra ordem.
Mas não deixe ninguém ditar como deve se dar a sua mudança

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Dos escritos que precisam ser entendidos, e sobretudo, guardados

MEXENDO NO FORMIGUEIRO - SOBRE AS HISTERIAS

Eu queria mexer no formigueiro? Não, eu não queria mexer no formigueiro. Mas a cada postagem que faço sobre a histeria, ou se posto algum trecho de Freud ou de Lacan (e basicamente só tem isso no meu facebook), aparece alguém com um discurso feminista pautado numa leitura psicanalítica gravemente equivocada, fazendo críticas descabidas à psicanálise. Pois bem, então talvez eu deva mexer no formigueiro.
Histeria é uma palavra que vem do grego, "hystero" e que significa útero. Vocês sabem que historicamente as mulheres são vistas como loucas, né? Mas por quê? Porque tem alguma coisa nas mulheres que o pessoal não consegue explicar. Hormônios, maternidade, possessão demoníaca, bruxaria... ao longo da história houve e continua havendo várias tentativas pra explicar por que somos diferentes dos homens, que acreditam que construíram uma boa parte da história.
Pois bem, eis que a histeria nasceu de uma tentativa de explicação, no tempo de Hipócrates, baseada numa crença mais ou menos assim (há várias versões), de que o útero virava de ponta-cabeça e o sangue menstrual subia pra cabeça. Aí as mulheres ficavam loucas. A ideia de associar a histeria à mulher é herdeira dessa historinha.
De lá pra cá é claro que a medicina avançou, Freud apareceu e hoje se sabe que não é disso que se trata a histeria. Sabemos também, há muito tempo, que há homens e mulheres histéricos.
Mas tem alguma coisa que conecta histeria e feminilidade que vai para além dessa herança histórica.
A ideia do senso-comum de o que é uma mulher, que diz da fulana insatisfeita, que quer o impossível, que quando consegue o que quer descobre que na verdade o que queria era outra coisa e outra e outra e outra - não está associada à loucura, mas à estrutura do desejo.
O desejo, como conceito psicanalítico, não tem objeto. Então a gente fica querendo algo que não sabe o que é, aí diz que é isso e que é aquilo como tentativa de nominar o inominável - e por isso temos o que fazer na vida, porque a gente nunca para de querer alguma coisa. O desejo, em psicanálise, por excelência, é histérico. (Por isso Lacan diz que é preciso histericizar o discurso para que alguém entre em análise.)
Se costuma-se falar da histeria, no feminino, e não no masculino, não é porque hajam apenas mulheres histéricas, mas porque há uma intimidade entre histeria e feminilidade.
Mas vejam, prestem atenção, em psicanálise, a feminilidade não é determinada pela biologia do sexo, mas é um modo de construir uma resposta para a pergunta "quem sou eu?", que toda criança faz - na melhor das hipóteses - ainda que de modo inconsciente.
Freud disse que os sujeitos masculinos são aqueles que se identificam aos que têm o falo e que os sujeitos femininos são aqueles que se identificam aos que não têm o tal do falo.
Aí, nesse ponto, beeeeem nesse ponto, a gente tem um equívoco muito grave e comum na leitura que algumas pessoas fazem na teoria freudiana, que é uma CONFUSÃO de falo com pênis.
E nisso a psicanálise lacaniana é bastante esclarecedora. (Para quem se interessar pelo assunto: leiam o texto do Lacan chamado "A significação do falo").
O fato é: O FALO NÃO É O PÊNIS.
O pênis é apenas um dos representantes possíveis para o falo, assim como vários outros significantes são substitutos fálicos, tais como dinheiro, diploma e tudo aquilo que tem valor para o Outro em nossa cultura.
Acontece que, por questões articuladas à nossa civilização, o pênis tem um valor elevado, levando assim, muitos homens (e mulheres) a acreditarem que o pênis é o falo.
Acontece que NINGUÉM tem o falo. Mas quem se constrói de modo feminino, e nós chamamos de mulheres, sabem bem disso. Já os sujeitos a quem chamamos de homens, tendem a ser mais enganados.
Os seres masculinos, ditos homens, levam o pênis muito a sério. Tanto é que, é comum (infelizmente) que mulheres frígidas passem a vida toda sem sentir prazer sexual e sem reclamar, enquanto que, para os homens, a impotência sexual é o FIM DA VIDA. Inclusive, no senso-comum, é recorrente que as mulheres digam aos homens "pense com a cabeça de cima". Sim, eles creem que têm o falo e que a cabeça de baixo é muitíssimo importante.
Entendo que é nesse ponto que os movimentos feministas devem focar, na separação entre falo e pênis. E não na crença de que o falo é mesmo o pênis, o que leva algumas mulheres a uma certa misandria.
Não acredito que o machismo possa ser bom pra alguém. Acho que ele é devastador para mulheres e para homens também. O machista precisa provar sua virilidade o tempo todo, precisa de uma grande dose de libido pra ocultar seus sentimentos, precisa objetalizar todas as mulheres - e ainda salvar a mãe - e tem que ter uma boa dose de homossexualidade em precisar amar tanto um pênis para poder existir. Por isso não é de se surpreender que muitos homens machistas sejam homofóbicos - é preciso aniquilar fora de si aquilo que não se consegue aniquilar dentro.
Entendo que a genialidade da contribuição psicanalítica de Freud e de Lacan é colocar o feminino, não como pertencente ao campo das mulheres, mas em colocar o feminino como enigma, como um além da lógica fálica.
Lacan pôs a feminilidade não como para quem falta algo (tal como era em Freud), mas como alguém que tem um excesso de gozo. A mulher lacaniana é aquela que não se contenta com a lógica fálica, porque sabe que há mundos e fundos para além disso.
A sexualidade feminina, nas teorias de Freud e de Lacan, não aparece no sentido binário da coisa, mas como um excesso, que aparece como enigma.
E o genial disso é que esse enigma, ao invés de ficar presente apenas no campo da histeria, na teoria psicanalítica pode aparecer do lado homem também.
Só que na masculinidade essas questões tendem a ficar mais abafadas, visto que a tal virilidade os leva a acreditar que o pênis é mesmo o falo. Um grave engano, que tem seu preço.
Os homens mais advertidos, que, muitas vezes são os que fazem análise, sabem bem desse engano e tendem a poder ter contato com esse impossível que mora neles também. Estes, que não têm tanto medo da queda da virilidade, paradoxalmente, são os mais viris.
A grosso modo, me arrisco a dizer que histéricos são os sujeitos que podem acessar os enigmas em si. Longe disso caracterizar misoginia ou reproduzir padrões culturais de machismo, entendo que os histéricos são aqueles que têm juízo e por isso têm medo do abismo - mas não recuam diante dele.

Ana Suy

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

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Ainda que o tempo passe e você ache que nunca mais, eu vou ser toda sua.
Ainda que não lembre meu gosto e não reconheça meu rosto, ainda que evite pensar.
Ainda que nesse momento você não se sinta capaz, eu vou ser toda sua.
Ainda que esteja sem força, a água secando na boca, ainda que tema se olhar.
Queira, acredite, me aguarde: eu vou ser, de verdade.
Ou eu vou ser toda sua ou não me chame…
Ainda que essa ventura pareça distante demais, eu vou ser toda sua.
Ainda que me imagine dos outros, prazer e alegria dos outros e maldiga a hora em que me desejou.
Queira, acredite, me aguarde: eu vou ser, de verdade.
Ou eu vou ser toda sua ou não me chamo, ou não me chamo…
Felicidade.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Resoluções.

Mais um ano que se renova. Cheio de possibilidades, todinho em branco, para que possamos escrever nossa história.

Resoluções de ano novo sempre me animaram. Pensar no que posso ser, no que posso fazer.
São tantas coisas!
Pensar que tenho novas oportunidades, e tudo depende de mim.

É também uma responsabilidade sem fim.
Mas a vida fica muito mais emocionante quando sabemos o que queremos, e o que precisamos fazer para atingir aquela meta.
Escrever listas, pensar no que se deve fazer. Mirar num futuro.

É isso que nos move!

Se não tivermos uma meta, se não houver algo que nos impulsione, não saímos do lugar.
Não fazemos metas para os outros. Fazemos para nós mesmos.
Gosto muito de chegar ao fim do ano, abrir minhas listas que fiz no começo daqueles 365 dias, e ver o que fiz, o que deixei de fazer, e ponderar: pq não consegui? O que consegui?

Agora é hora de elaborarmos novas ideias.
<3 nbsp="" p="">O negócio é colocar a mente para produzir e identificar o que te move.

Que 2017 seja incrível!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Perdendo se encontra

Amar!

Eu quero amar, amar perdidamente
Amar só por amar. Aqui... Além...
Mais Este e Aquele. O Outro e Toda gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!


Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disse que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi para cantar.

E se um dia hei-de ser pó, cinza, e nada.
Que seja a minha noite uma alvorada
Que eu saiba me perder... para me encontrar...

Florbela Espanca

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Violência gera orgulho

E agora.
O fim do turbilhão se aproxima. Estamos vencendo, pouco a pouco, esse enduro.
E após muita concentração,  noites em claro, leituras, debates, dores físicas, desgastes, ele está ficando pronto.
Que sensação louca.
Está tomando forma. A maluquice.
Que orgulho. Que felicidade.
Sentir-se capaz de concluir algo, saber que você pode fazer aquilo.
Quando você já não acreditava mais em si. Superar-se 

Uma das coisas mais incríveis que senti.

Um tema que doeu em mim colocar no papel.
Independente da nota que vier.
Para mim, já valeu dez.
Me sinto vitoriosa e orgulhosa de mim. Que sensação incrível.