quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Afrouxou


Tendo cáries, não sofreríamos.



Tem dor de amor que chega estragando tudo, como se fosse possível o doce virar azedo. 

Certa vez, me lembro bem, quando na infância fui ávida para comer um pedaço de chocolate embrulhado num lindo papel azul, guardado em um cantinho especial da geladeira. Fui sorrateira, sem que minha avó visse, e comi tudo, numa bocada só. 
Mas era fermento de pão. Tinha um gosto que amarrava a boca, e eu espumei muito. Feito cachorro com raiva. 
 
Dor de amor é igual. 
Você pensa que não vai sobreviver a incrível maledicência. Que vai pra sempre espumar, e o gosto que amarra a boca nunca mais vai sair. Não importa o quanto você escove os dentes, ou cure o coração. 

Depois que a dor passa, você até se sente tentado a experimentar novamente. 
Depois de um tempo, você se pega admirando aquele pacotinho bonito, azul, guardado no cantinho da geladeira. Você sabe que talvez seja fermento de pão. Mas talvez, possa ser um chocolate esquecido. 

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

As vezes Ter todas as condições materiais não significa de fato ter tudo.
Falta carinho, falta alegria, falta riso frouxo e sem motivo. 
Falta ter companheirismo, falta entendimento, falta vontade de viver. 

Hoje, durante uma festa bem típica de interior, onde tocava aquele "arrocha" , vi várias famílias pulando é dançando juntas. Vi casais de velhinhos rodopiando o salão. Eles não pareciam que amavam aquele ritmo musical, mas todos ali riam e se divertiam, alegres, comemoravam o fato de estarem juntos. De poderem ser cúmplices, de se gostarem verdadeira e genuinamente. Sem ter motivo ou obrigação para estarem juntos e serem felizes de fato. 

E aquilo me doeu. 

Assim como na hora da virada me doeu o coração quando vi uma família. Pai, mãe e filho de uns quatro anos, abraçados, cantando juntos o "adeus ano velho, feliz ano novo...". E eu comecei o ano chorando. 
Chorando, porque percebi que estou dura demais. Carrancuda demais. Sem amor. 
Sem amor de pai, de mãe, de irmãos, de ninguém. 
Chorando, porque eu não posso ajudar uma pessoa se ela não quiser ser ajudada. Porque o fardo que eu to carregando já não to mais aguentando. Sabe, deu. Esgotou. 

Coloco a meta em 2014 de ter mais amor. Custe o que custar. 
Chega de fardos pesados, cada um carrega aquilo que pode. E aquilo que é seu. 
Que esse choro sirva para evitar os próximos. 

Feliz ano novo. 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Existem certas atitudes na vida que você se esforça para não hiper valorizar. 
Mas às vezes acaba sendo mais forte que você. 

Você tenta continuar vivendo mesmo sabendo que aquilo não significa nada na sua vida. Mas em um dado momento, você se pega chateado pelos acontecimentos. E é absurdo, porque você já sabia, você entende que aquilo já era esperado que acontecesse. 

Mas incomoda. 

terça-feira, 29 de outubro de 2013

- E amor? Quando foi a última vez que te trataram com amor?
- ...

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Crônicas diárias



Entre um cigarro ou outro você percebe que já não tem mais paciência Pr'aquelas baladas de antigamente.
Que seu rosto já não carrega mais aquele frescor da juventude, e tuas pernas já não aguentam tantas horas em pé. 
Você começa a preferir ficar em casa comendo uma pizza, tomando um vinho e rindo com os amigos do que se arrumar e ficar na caça (arriscando sair no zero a zero, o que é pior). 

Você se pega ouvindo rádios que tocam músicas mais calmas, com aquele ar de nostalgia. 
Começa a pensar que já ta na hora de se aquietar e arranjar um homem pra casar e ter filhos.
Preocupa-se com a demora pra se formar, e a falta de um emprego com determinada estabilidade e carteira assinada. 

De fato, a vida passa num piscar de olhos, e como diz uma amiga "só não vai quem já morreu". 
Essas incógnitas viriam à tona mais hora menos hora.
Mas talvez ainda seja cedo pra esses desesperos de vida medíocre. 

Aí você acorda e percebe que ta perdendo tempo demais. 
Bora pra luta

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Você é uma delas. Perfeccionista, sim, e ao extremo. 
Perfeita, não, e eu agradeço. 
Os astrólogos também dizem que você é corajosa, tem senso de responsabilidade e uma ansiedade incontrolável, porém maquiada. 
Dizem que você é forte por fora e se morde por dentro, que você é crítica e não gosta de demonstrações dramáticas de amor ou aquelas promessas sentimentais exageradas – sejam elas quais forem. 
Dizem ainda que você tem a mente pura, mas não é ingênua; tem os gestos calculados, mas não é fria; e até nas brigas mais indelicadas, prefere resolver tudo no tato, no ato, com a delicadeza nata que os astros naquele mês de setembro, de um ano que eu prefiro preservar, fizeram nascer em você. 
É isso que os astrólogos dizem. 
E deve ser por isso que eu também te amo. 
Por você não se cegar facilmente por qualquer amor. 
Por você ser terrivelmente prática e ao mesmo tempo divinamente romântica, mesmo sem conseguir demonstrar sempre o que realmente sente por dentro: e, às vezes, parecer fria: mas eu sei que é delicada e quente. 
Por você conseguir enxergar uma lógica em tudo – até mesmo nas paixões mais confusas. 
Por você saber sofrer calada e ao mesmo tempo não gostar de chorar essas lágrimas por muito tempo. 
Enfim: por você existir. Os astrólogos se calam. Agora quem fala é a poesia. 

[Para você que nasceu em setembro; antônio]

terça-feira, 24 de setembro de 2013


"Quando finalmente for
Da distância entre nós dois
Ser mais que ar, que fé, que pó e calor
O seu cheiro é meu suor
O seu gosto vem me despertar, me cobre de cor
Meu contorno sei de cor
O seu choro vem me confortar, lavar essa dor"

Móveis Coloniais de Acaju - Sede de Chuva

As eminências do talvez.


Se existe crise após os 20 anos, eu me encontro nela.
Me vejo com os meus recém completos 23 anos, e já me pego maluca.
Fico desesperada pensando que não vou nunca ser gente grande, de verdade, sabe?
Me acho imatura, infantil, dependente.
É engraçado, porque as pessoas geralmente dizem que não aparento tamanho 'problema'. Mas a minha análise é essa.
Me sinto uma bobona.

Fico perguntando: Quando que vou criar coragem pra romper com isso?
As minhas queridas entidades já me disseram o que eu devo fazer. Mas eu confesso que sinto medo. Ao mesmo tempo que sinto uma insatisfação por estar nesse lenga lenga eterno, sinto medo de crescer.
Não sei explicar ao certo.

É meio óbvio que ninguém quer sair da sua zona de conforto. Afinal, viver na sua bolha é muito mais legal e cômodo.
Mas fico pensando que a vida não é esse quarto bonito que eu tenho. Não só ele, pelo menos.
E tá na hora de criar vergonha na cara.
Sinceramente não sei dizer o que me impede, o que me segura.

Talvez uma terapia me ajudasse com esse dilema.
Às vezes acho que minha vida é pacata demais. Sabe, aquela coisinha inatingível? Tá meio monótono.
Não sei. Perfeitinha demais.
E eu sei que quando isso mudar, eu vou me xingar muito por estar reclamando disso.

Não sei.
Talvez seja realmente a hora de crescer, e eu só esteja adiando isso, como sempre fiz.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

As mazelas do coração.

Talvez tenha que ser assim mesmo. 
Cada um pra um lado. Sem essa interferência massiva e essa tentativa falha de 'Sermos Amigos'. Não haverá amizade.
Não há como existir a amizade depois de um relacionamento, se ela não estava presente antes dele começar. 

Existem coisas que têm começo, meio e fim. E ponto. Não adianta querer ficar postergando. Quando é pra acabar tem que ter peito de falar 'Acabou, foi bom, mas acabou.' E acabar com aquilo DE FATO. 
Nunca fui muito boa em dar um fim nas coisas da vida. Especialmente em relacionamentos. Mas isso já é questão de autopreservação. 
Você foi um período bom na minha vida. Como disse o Cigano Ramon "Melhor ter a cama quente por um tempo, do que sempre fria". E foi assim! Você viveu, cresceu, me ensinou, e morreu na minha história. 
Agora cabe a mim conseguir absorver isso, mais rápido do que a outra vez, por favor. 
Sem raiva, sem rancor, sem atribuir culpas a ninguém. Apenas entender que assim que funcionam as coisas. 
Foco, Aninha. Foco. 

"'I miss you', he admitted 
'I'm here', she said
Thats when I miss you most, when you're here. When you aren't here. When you're just a ghost of the past or a dream for another life its easier then."

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

A falta da Umbanda.

Preciso dizer que fiquei chateada com esse novo horário da faculdade. 
Ao mesmo tempo que eu estava ansiosíssima com a novidade de começar as aulas, fiquei triste por abrir mão de algo que me faz tão bem.
Ficar sem ir ao terreiro me deixou com o coração apertadinho. 

Hoje estava lembrando o quanto eu aprendo dia após dia com as entidades, especialmente com as que eu camboneio. 
Lembrei de uma história que uma delas me contou. A respeito de uma cigana. 

Dizem que o segredo dos amores ciganos se dão justamente porque eles não espalham aos ventos a existência dos mesmos. Uma cigana pode ter acabado de beijar seu amor, mas ao virar a esquina, se alguém lhe perguntar a respeito dos amores, ela se lamentará. Dirá que não tem nenhum, que a vida está difícil nesse aspecto. 

Talvez eu tenha muito o que aprender com essa historinha, pois cultivo a péssima mania de falar aos sete ventos os meus êxitos amorosos. E não é difícil que eles não deem certo. 
Como dizem: "Boca fechada não entra mosca". 

Sabedoria Cigana 

quinta-feira, 1 de agosto de 2013


Amor, Livre?

"No amor livre, as pessoas possuem a liberdade de se relacionar com quem quiser. Defendem o direito de manter relações amorosas livres de controle de regras ou leis sociais."

Assim que dou a introdução pra esse post. 

Funciona assim: Um belo dia você conhece uma pessoa fodasticamente foda. Aquelas que, quando você conhece, você já sabe que vai se apaixonar. Aí ela te diz que pode amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo. 
Como isso, meu deus? Libertinagem agora?
É isso mesmo. Amar mais de um. Porque você não pode ser egoísta em querer a pessoa só pra si. Afinal, cada pessoa é única. Cada um tem as suas belezas e encantos. Porque se fixar numa só? 

Pera, pera, pera. Deixa ver se entendi: Você tá me dizendo que pode me amar, integralmente, como nunca ninguém me amou. Mas também pode amar outras pessoas?
E tudo isso, com o consentimento de ambos?

Só consigo pensar que: Não dará certo. Pelo simples fato de que sou uma louca, psicótica, desvairada e ciumenta.
Aí, eu começo a ler na internet a respeito. Começo a me inteirar, pelo menos um pouco, por cima do assunto e... Começo a gostar do que estou vendo! 

Sim, é isso mesmo.
Não se pratica o desapego com tudo na vida? Então, vou começar a praticar o desapego no amor. Me deixar ser amada, e amar, sem pedir, sem querer retorno, sem noiar. 

Já vejo aqueles dizendo "Impossível, você é louca demais".
Talvez vocês tenham razão. Talvez eu de fato seja. 

Mas preciso dizer que admirei muito a condição daquela pessoa realmente feliz, ao me contar sobre a beleza de se deixar envolver assim. Aquela ausência de carga opressora, sem noias nem desesperos. Afinal, o amor vai existir. Para vários, não para um só.
E você vai poder retribuir assim. 

Eu sei, não será fácil. Porque o modelo de amor imposto na nossa sociedade é muito severo. Você é obrigado a encontrar a sua metade da laranja. Se você não vier a encontrar alguém exatamente do jeito que você quer/precisa/sonha, você não vai ser feliz. 
Pois bem, opto então por não encontrar um,  e sim vários. A questão não é ter um relacionamento 'sério'. A questão é ter um relacionamento sincero. 


Pra quem quiser se inteirar mais a respeito do Amor Livre, Relacionamento Aberto, Poliamor e afins, tem um textinho que gostei bastante aqui. ;)
Vamos deixar de sermos tão egoístas e mesquinhos. Vamos amar mais.