domingo, 10 de abril de 2022

Pode chorar, coração. Mas fique inteiro.

 Nesse fim de semana minha avó morreu. 

Ela tava mal fazia um tempo, um câncer doloroso consumiu sua vontade de permanecer nessa vida. E eu confesso que a entendo. 

Viver é doído. 

Foram 82 anos de muitas coisas. Muita vida, muita risada, mas também muita dor. Viver tem dessas coisas. 

Eu não sei dizer exatamente o que eu senti. Perder a minha avó foi uma experiência que me fez olhar as relações de outro modo. A vó sempre foi muito tranquila, apesar de ser uma italiana brava e cheia de xingos. Mas ela era sorriso frouxo também. Afetiva e afetuosa. 

Quando cheguei em seu velório várias foram as pessoas que disseram que eu estou muito parecida fisicamente com ela. Confesso que fiquei feliz e orgulhosa. 

Eu não tinha muito convívio com ela, a vida tem dessas coisas. Mas saber que tem dela em mim me fez ficar ficar satisfeita. Especialmente porque eu a admirava. Talvez eu não tenha dito tudo isso enquanto pude... Viver tem dessas coisas. 

Mas ela era significativa. Uma senhora que me ensinou muito, talvez até sem saber que ensinou. Demonstrando valentia, sabedoria, e até mesmo uma boa dose de 'Foda-se'. Não ficava esquentando por qualquer coisa, mas brigava e falava o que incomodava. 

Depois que meu avô morreu nunca mais quis se casar de novo. Disse que não queria lavar cuecas de outro homem. Acho que foi uma das grandes lições que aprendi com ela. Saia para bailões, ria com as amigas, gostava de viver sua vida quanto podia. Quanta liberdade tinha aquela velhinha. Que coisa linda ter vindo dela. 

Viver tem dessas coisas. Ela nunca me cobrou a ausência que eu tive, mas sempre demonstrou grande afeto por mim. 

Eu ainda não chorei a sua morte nem a sua perda. Não sei quando vou conseguir fazer isso. Mas só de estar escrevendo sobre ela sei que senti mais do que racionalizei. A vida tem dessas coisas. 

Desejo que ela esteja em um lugar bom, que ela possa sair para dançar e dar suas gostosas gargalhadas/. Obrigada vó por todo afeto que você me fez construir nessa vida. 

domingo, 17 de outubro de 2021

Três meses

Já faz três meses desde que eu decidi fazer a cirurgia. 

Tanta coisa mudou em mim. Tanta coisa mudou por mim... Não falo apenas da estética. Essa também, é claro. 

Mas Mudou aqui dentro, sabe como? 

Parece que tava precisando dessa mudança pra que reverberasse e explodisse tudo que tava aqui, esperando há tanto tempo pra gritar pro mundo. Não sei explicar ao certo. 
Terapia, auto análise e muito amor próprio tem sido o resultado eficaz e bonito de um novo ressurgimento meu. 

To feliz e orgulhosa das coisas que tem saído. 

Dia desses fiz uma consulta no tarot, que disse que tudo ia ficar bem. 
Eu Acredito, de verdade, que agora é o tempo da colheita. E que sou merecedora disso tudo.

É hora de colher os bons frutos que sempre fiz por merecer. 

Virão coisas boas, sou grata e acolho o que virá. 

A mudança faz parte dessa colheita, estou satisfeita com ela.

Bem no fim, era o que eu queria. Almejava por ela, não sabia que era tanto assim. Achava que seria uma simples cirurgia que retiraria apenas meu apetite e eliminaria alguns quilos. 

Ledo engano. Ainda bem. 

quinta-feira, 29 de julho de 2021

quarta-feira, 28 de julho de 2021

 A RAZÃO NÃO PENETRA O MISTÉRIO

o que você tem pra oferecer

Uma das coisas mais cruéis que eu ouvi do meu pai um dia foi: 
"Você não pode querer ficar com um cara magro, escultural, sendo gorda. Você tem que ter no mínimo o mesmo para oferecer para ele." 

Eu tinha uns 14 anos na época. Ainda morava com ele. 
E essa frase nunca saiu da minha cabeça. 
É perverso perceber como a construção social dos corpos atua na nossa sociedade. Como ditam padrões. Como colocam essas coisas na gente. Eu nem sabia ao certo o que eu deveria oferecer pra alguém. 
Veja, não houve ensinamento sobre afeto que ficou registrado em minha memória. Foi sobre corpos. 
Não foi sobre inteligência. Companheirismo. Parceria. Foram corpos. 
E eu nunca fui esse corpo. 
Quase 17 anos se passaram e eu ainda lembro disso. 

18/01/2018

Eu to pra escrever isso desde que você se foi.
Mas confesso que resisti, não por outra coisa, mas porque ao colocar em palavras, torna tudo muito mais concreto e dolorido.
Eu sempre primei pela sua felicidade e alegria. Sempre te desejei tudo que fosse melhor do melhor! Para mim, isso que importa. E quando você contou que sua felicidade estava lá do outro lado do atlântico, eu desejei muito que você fosse atrás dela.
Mas confesso que, quando chegou dia cinco, e você se foi, me deu um baque. Eu não tinha elaborado sobre a sua partida. Eu não tinha pensado como seria sem ter você por perto. Ainda que não nos falemos direto. Eu tinha uma segurança em ter você por perto, sabe? Eu sabia que você estava por aqui, em caso de necessidade de colo, risada ou puxão de orelha. Quando parei e refleti que você não mais estaria, me deu um vazio muito grande... uma insegurança que doeu no peito. E eu não consegui nem falar nada.
Carrego no peito, com carinho, algumas pessoas. E você está entre elas, com toda certeza e amor. E a cada conquista, passo ou coisa vivida, eu desejo muito estar por perto, vibrando por elas. Independente da distância.
Hoje é um dia de comemoração e felicidade, e eu sei que você está sendo plenamente feliz nesse instante. E saber disso me enche o coração de ternura e afeto. Saber que você esta correndo atrás de sonhos, ideais e vontades. Sempre te disse que considero essencial que saibamos o que queremos para nossa vida, e que busquemos o que nos completa. Sei que agora você está fazendo isso, e é maravilhoso! Fico completamente feliz e orgulhosa por ver que você está buscando o melhor para você, para se tornar a mulher que sempre quis.
E hoje, como sempre, eu te desejo o mundo inteiro! Que você busque tudo que está ao seu alcance, que você desbrave outros mares, desvende outras terras e outras culturas. Quero que você me conte como que é som das risadas aí do outro lado do oceano, que você se encante com os cheiros de cada canto desse chão por onde passar, que você perceba como é o afeto aí desse lado. Que você transborde amor e tudo que houver de melhor, por quem você tocar. Que você reverbere toda a luz e boa energia que receber, para tudo que estiver a sua volta. Que seus olhos de gata possam captar todas as cores e pinturas que estiverem ao seu alcance, e que essas imagens permaneçam para sempre em seu coração.
E espero, do fundo da minha alma, que você retorne, para me dizer como foi tudo isso. E que eu possa te dar um abraço apertado, demonstrando toda saudade que eu já to sentindo.

Feliz aniversário minha amiga. Que seu dia seja pleno e incrível, como você. 

Ressignificar

 Do umbigo roxo, cheio de marca, cicatrizando. 

A alimentação líquida, pastosa. 

Aprendendo a sentir sabores, comendo em poucas quantidades, descobrindo novos paladares. 

A cirurgia vem pra aprender a fazer tudo de novo (ou seria ensinar?), com mais calma, mais ternura, um olhar diferente pra mim. 

Não só isso... 

To tendo a oportunidade de olhar com mais afeto pra minha relação de afetos ao meu redor. Ressignificando o cuidado e o amor de mãe. Me permitindo ser cuidada em cada ponto. 

Fazendo a comida, cuidando pra que eu não passe mal, permitindo que eu não sinta o cheiro, não passe vontade. Vindo em um lugar de gentileza, ternura, que há tempos eu não sentia esse acalento na alma. 

Que felicidade poder viver isso. Que felicidade poder ser preenchida por esse amor que eu tanto quis e nunca encontrei. 

Ser cuidada enquanto filha. 

Que privilégio. 

Hoje a sessão foi sobre isso. E to saindo tão feliz por concluir que tive a oportunidade de olhar para esse lugar de novo. Que só posso sentir gratidão. 

Obrigada Universo. 

sexta-feira, 9 de abril de 2021

Para 2021.


✨as cartas que regem seu ano são ESFINGE - DESAFIO e A LUA
 
Eeeeee que ano profundo vai ser esse!! Provavelmente ele já tenha começado hahaha 

Ano regido pela esfinge e pela lua é ano de mistério. Quantas coisas existem dentro de vc mesma que vc ainda não conhece??

A carta da lua é a carta que pede pra que vc mergulhe profundo no seu interior porque todas as respostas estão lá.

As vezes é meio utópico essa coisa de mergulhar na gente né? Mas é isso aí mesmo. A vida é uma utopia gigantesca!!

A carta da lua diz que o caminho do ano é o caminho de olhar pro ponto que tá laaaaa no fundo. É momento de descobrir quem vc é é de curar as coisas que estavam escondidas também.

E talvez esse seja seu maior desafio (?). A esfinge vem dizer que os desafios existem pra deixar a gente mais forte, mais esperta, mais preparada e que não adianta fugir deles. Quando fugimos de um desafio, ele pode se tornar um problema ou uma dificuldade.

Durante o ano todo, esteja disposta a aceitar todos os aspectos de si mesma. Mesmo os que vc ainda não conhece. Porque é um ano de integração. Tudo que o escuro da lua esconde sobre nós, faz parte da gente, e esse é o ano do reconhecimento dessas partes.

Talvez seja difícil em algum nível, isso de se encarar e tal. Mas está exatamente aí a grande recompensa do seu ano.

Outra coisa interessante é a entrega. Como estamos falando da esfinge e do mistério, não tentar prever oqie vai acontecer pode ser uma ótima ferramenta pra te livrar do medo e inseguranças. Pois assim, vc vai estar entregue e presente pra viver o agora. Seja ele como for.

Ótimo momento pra iniciar terapias novas, ou começar a fazer uma. Seja qual for. A lua tem isso de trazer lembranças, traumas e sentimentos profundos. Ótimo momento pra aproveitar e curar tudo mesmo!! 

Importante lembrar também que pra iniciar coisas novas, é necessário finalizar também. Isso abre espaço pra podemos criar mais.


Cristais pro seu ano:

Pedra da Lua: ajuda na cura e no reconhecimentos de lembranças e sentimentos.

Unakita: traz presença e trabalha o medo da sobrevivência. Ajuda a entendermos a diferença entre solidão e solitude. Traz paz e calma.


- Venusiana

terça-feira, 9 de março de 2021

As mulheres que guardo em mim

 

As mulheres que guardo em mim são gigantes

Se tornaram abrigo

Acolheram e aqueceram meu passado

Para que meu presente se fizesse enfim.

As mulheres que guardo em mim são artesãs

Costureiras do tempo

Remendaram suas crenças e teceram memórias

E por isso eu nunca me esqueço que apesar do não elas fizeram sim

As mulheres que guardo em mim são lindas

Carregam uma boniteza que não pode ser medida, avaliada, comparada ou ignorada.

Pois até hoje testemunho o seu fim

As mulheres que guardo em mim fizeram terra frutífera

Elas se plantaram e se alimentaram.

Me nutriram e me ensinaram a ser espinhos pétalas e raízes

Graças a elas, hoje eu sou jardim.

Eu moro nelas e sou eternamente grata por essas mulheres que guardo em mim

 

Carol Fernandes 

quinta-feira, 4 de março de 2021

desilusão

Após 340 e poucos dias vivendo em pandêmia
Hoje tivemos um recorde de mortes. 
1900 em um único dia. 
A sensação é de abandono à própria sorte. Como se nunca mais fôssemos sair dessa situação.
Nosso presidente é um louco, genocida, negacionista. 
Nossa população é inconsequente e desesperada. Não temos acesso ao mínimo do mínimo. 
Não há renda. Não há garantia de vida. De sobrevivência. De políticas públicas. Nada garante a nossa existência e subsistência. 
Não há como culpar o povo que precisa trabalhar. O culpado tem nome e sobrenome. O sistema capitalista esmaga os trabalhadores em sua máquina de moer carne. 
Já são mais de 250 mil mortos. 
E ninguém se importa.
São apenas números. Estatísticas. 
A máquina continua moendo...
O presidente continua falando mal do uso das máscaras. Propagando o tratamento precoce pra uma doença que nem cura tem. 
E a população fica sobrevivendo por si só, torcendo pra que alguma hora alguém olhe por nós, com sorte, nesse Pandemônio. 

domingo, 13 de dezembro de 2020

Principia

 Vejo a vida passar num instante

Será tempo o bastante que tenho pra viver?
Não sei, não posso saber
Quem segura o dia de amanhã na mão?
Não há quem possa acrescentar um milímetro a cada estação
Então, será tudo em vão? Banal? Sem razão?
Seria, sim seria, se não fosse o amor
O amor cuida com carinho
Respira o outro, cria o elo
O vínculo de todas as cores
Dizem que o amor é amarelo
É certo na incerteza
Socorro no meio da correnteza
Tão simples como um grão de areia
Confunde os poderosos a cada momento
Amor é decisão, atitude
Muito mais que sentimento
Alento, fogueira, amanhecer
O amor perdoa o imperdoável
Resgata a dignidade do ser
É espiritual
Tão carnal quanto angelical
Não tá no dogma ou preso numa religião
É tão antigo quanto a eternidade
Amor é espiritualidade
Latente, potente, preto, poesia
Um ombro na noite quieta
Um colo pra começar o dia
Filho, abrace sua mãe
Pai, perdoe seu filho
Paz, é reparação
Fruto de paz
Paz não se constrói com tiro
Mas eu miro, de frente
A minha fragilidade
Eu não tenho a bolha da proteção
Queria eu guardar tudo que amo
No castelo da minha imaginação
Mas eu vejo a vida passar num instante
Será tempo o bastante que tenho pra viver?
Eu não sei, eu não posso saber
Mas enquanto houver amor, eu mudarei o curso da vida
Farei um altar pra comunhão
Nele, eu serei um com o mundo até ver
O ponto da emancipação
Porque eu descobri o segredo que me faz humano
Já não está mais perdido o elo
O amor é o segredo de tudo
E eu pinto tudo em amarelo

Pastor Henrique Vieira

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Olhar para si

 A verdade é que eu negligenciei por muito anos a minha surdez.

Nunca olhei pra esse lugar, pro que ele causava em mim. E me sinto vivendo num limbo, onde não pertenço à categoria de surdos, nem à categoria de ouvinte.

E durante muito tempo a vivência da minha surdez foi suprimida pela minha família e meu círculo social, me fazendo negá-la. Claro que sei que todos fizeram isso com as melhores das intenções, afinal, as deficiências em nossa sociedade são vistas como algo ruim.

Era aquela coisa: "Nossa, você não tem cara de surda" ou "Puxa, você se comunica bem, como que é surda?" "Mas você não é surda, você só não escuta muito bem algumas coisas..." E assim foi sendo uma construção negativa acerca da minha surdez, a qual eu reforço cotidianamente.
Mas a verdade é que tenho uma perda de audição moderada bilateral Isso significa que eu tenho aproximadamente 50% menos de audição em cada ouvido Só que minha perda foi gradual, o que fez com que eu me adaptasse. Aprendi a fazer leitura labial, corporal. Além do uso do aparelho
E a apropriação dessa condição está vindo agora, aos 30 anos. Entendendo que minha perda está progredindo, e honestamente, não sei se um dia terei uma perda total.
Mas o fato é: não me sinto pertencente à condição de deficiente
E muitas vezes me negam isso de várias maneiras: simbólica, me desqualificando enquanto pessoa surda. E eu fico sem saber onde me encaixar.

Vejam: não estou afirmando aqui que possuo as mesmas dificuldades de uma pessoa que nasceu surda. Não. Eu não faço parte da cultura surda. E não estou reivindicando isso.

Mas estou expondo minha realidade de pessoa que perdeu a surdez aos 4 anos de idade e essa perda progrediu ao longo da vida, chegando ao estágio que cheguei atualmente.
E hoje me vejo surda, sem saber me enquadrar em determinados espaços.

terça-feira, 15 de setembro de 2020

A chegada dos 30

 Faz tempo que a vida passa. 

Eu só posso agradecer. Parece clichê, eu sei. 

Fazer o que? A vida é clichê... 
Sou grata por tudo que vivi, pelos caminhos que trilhei, por quem eu me tornei. 

Só eu sei as dores e delícias de bancar as minhas decisões. De escolher as minhas batalhas. De sorrir por onde passo. 

não me sinto velha, ao contrário. Me assusto quando penso na minha idade. 

Não tenho medo de envelhecer, eu apenas não sinto como o tempo passa, embora ele siga passando. 

Me vejo feliz e satisfeita quando observo que sou quem eu quis ser. 

Obrigada, vida, por ter me dado tanto!

Espero continuar sendo digna das conquistas desse caminhar lindo.